segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pretérito perfeito


Cada dia mais “colorido” e “impotente”, o rock atravessa por um momento cheio de incertezas. Sem nenhuma revelação importante no cenário, talvez a última seja o Avenged Sevenfold, restou torcer para que alguma banda já consagrada pudesse apresentar algo diferente. E, graças a Deus, foi exatamente o que aconteceu. Recentemente, The Strokes e Foo Fighters mostraram que a saída para a falta de inovação no estilo pode estar no passado.

Sem lançar nenhum álbum de estúdio desde First Impressions of Earth (2006), o Strokes não decepcionou com o recém-lançado Angles (2011). O grupo norte-americano, que já flertou com influências dos anos 60 e 70, decidiu passear pela década de 80 e o saldo foi positivo. Faixas como “Machu Picchu”, “Two Kinds of Happiness” e “Games” são recheadas com sintetizadores e batidas eletrônicas interessantes, que lembram o que era exaustivamente explorado por bandas como Depeche Mode e New Order. Além de combinarem com o estilo de vocal imposto por Julian Casablancas.

Quem também apostou em algo mais “retrô” foi o Foo Fighters. Sob a promessa de que Wasting Light (2011) seria o registro mais pesado da carreira, o quinteto abriu mão da tecnologia e decidiu gravar o álbum inteiro em lo-fi para garantir fidelidade ao estilo rock de garagem. Músicas como “Bridge Burning”, “Rope” e, principalmente, “White Limo” apresentam riffs fortes, imponentes e que valorizam os graves.

Produzido por Butch Vig, responsável pelo clássico Nevermind, do Nirvana, o disco não cumpre à risca a definição de peso em todas as faixas e ainda trás influências melódicas, que dominaram os últimos trabalhos. Mas a ideia certamente deve ser reverenciada.

“Ousados” e extremamente eficientes, os novos álbuns de Strokes e Foo Fighters surgem como um desfibrilador para o rock, que está cada vez mais decadente. São a prova de que é possível inovar dentro do seu próprio estilo, sem forçar nenhuma mudança drástica, algo que ficou evidente em álbuns como A Thousand Suns (2010), do Linkin Park, e Audio Secrecy (2010), do Stone Sour.

Acredito que explorar influências do passado pode garantir o futuro de um estilo musical, até certo ponto, fechado e que dificilmente aceita grandes mudanças.

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