segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sensações


Certas emoções são únicas e inexplicáveis. Ter sido escolhido orador da colação de grau e representar diversos cursos me proporcionou uma série de sensações.

Seria a maior mentira do mundo se dissesse que jamais pensei em ser o orador da turma, mas nunca acreditei que seria escolhido. Não gosto da minha voz e não me considero simpático. Por isso, admito que fiquei bastante surpreso.

Com a colação cada dia mais próxima, veio a crise de inspiração. Fiquei incontáveis horas na frente do computador, sem criatividade alguma. A responsabilidade de falar em nome de diversos alunos me deixou assustado e criou diversas dúvidas sobre o meu potencial para escrever um bom discurso.

Qual seria a melhor temática? A da emoção? Não! Acredito que sou incapaz de emocionar alguém já que dificilmente me emociono. Algo cômico? Também não! A importância do momento não permitia esse tipo de brincadeira. Então qual? Optei pela sinceridade, seriedade e representatividade dos quatro anos de universidade. Após uma verdadeira guerra interna e ajuda de alguns amigos, consegui terminar o texto.

Então, chegou o dia 23 de fevereiro de 2011. Meu coração batia forte, meus ouvidos não escutavam nada e minha respiração ficou acelerada. O medo de não ter o meu discurso aceito pelos demais formandos ou de errar feio na hora de falar me consumiu, não abriu espaço para que eu pudesse relaxar em nenhum momento.

Ao ser chamado para discursar, minhas pernas tremiam e meus olhos não enxergavam. Parecia que eu estava fora do meu corpo. Havia um verdadeiro batalhão de pessoas no Juventus. Não sei ao certo o número de pessoas, mas eram muitas. O caminho entre o meu assento e o púlpito parecia uma longa estrada. O mix de medo, responsabilidade e tremedeira me acompanhou até o último instante.

O silêncio era o sinal para que eu começasse. Todos os olhares estavam voltados para mim e isso foi assustador. Respirei fundo...e dei início ao discurso. Após a primeira frase proferida, tive a certeza de que me sairia muito bem, acima da média. O medo que me arrasou pré-colação abriu espaço para um momento único e profundamente prazeroso.

O resultado foi maravilhoso e recompensador. Os aplausos, gritos e, principalmente, lágrimas de alguns alunos destruíram todas as minhas previsões pessimistas e liberou um Patrick até então desconhecido: o exibicionista. Poderia ficar alí por mais uns dez minutos.

Concluí que não sou tão ruim quanto imaginava. Descobri que o meu maior defeito não é a falta de qualidade, mas sim a falta de confiança no meu potencial. Desejei que o meu falecido avô estivesse presente... Acredito que ele ficaria muito orgulhoso.

Voltei para a minha casa acabado. A pressão mental pela qual passei consumiu todas as minhas forças. Preferi não comemorar. Fui direto para a cama e tive uma das melhores noites de sono da minha vida.

Certamente, as palmas e gritos de todas as pessoas que compareceram ao Juventus naquela quarta-feira, dia em que recebi o meu diploma, vão ecoar para sempre na minha cabeça.

Definitivamente, certas emoções são únicas e inexplicáveis.

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