segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Prostituição e aposentadoria


A novela Ronaldinho Gaúcho, que bateu fácil qualquer uma das mexicanas, apresentou aspectos preocupantes em todos os setores que estão envolvidos com o futebol brasileiro.

O primeiro é a prostituição de um craque e o mal que um empresário pode fazer. O leilão escancarado e sujo promovido por Assis, irmão e representante do astro, foi algo repugnante. Deu a palavra de acerto para alguns clubes, enquanto negociava com outros às escuras. Isso tem um nome: pilantragem!

O segundo é o próprio Ronaldinho, que tratou de brincar com o coração dos torcedores gremistas ao dizer que se dependesse de sua vontade retornaria ao estádio Olímpico. Mascarado, o craque fez juras de amor ao time gaúcho, mas estava atrás de um time que se rendesse às suas vontades e regalias.

Ao falar que retornou ao país por causa da Copa do Mundo de 2014, Ronaldinho confirma que já não é, nem de perto, o jogador que fez história no Barcelona. Se jogar no Brasil é uma maneira mais fácil de voltar à seleção, significa que o nível técnico por aqui é menor do que na Itália, fato que entrega a queda de rendimento do atleta. Certamente, ele já não consegue atuar bem nos gramados europeus (onde estão os melhores do planeta).

O terceiro é exatamente a submissão dos dirigentes brazucas. Cegos, eles atropelaram a política de contratações dos clubes e fizeram acordos absurdos, mesmo devendo até as calças, para atingirem as cifras desejadas por Ronaldinho, além de se entregarem por completo aos desejos do jogador.

Se o marketing que será feito em cima do craque paga a conta? Sim! Mas isso significa que os cartolas não estão nem aí para o que acontece dentro das quatro linhas. Se ele vai jogar bem ou não? Isso pouco importa! Assim, a falta de títulos e péssima administração ficam em segundo plano se comparadas ao brilho de uma estrela.

O quarto é a péssima cobertura da imprensa esportiva. Sem nenhum fato importante para noticiar, já que quase ninguém fala sobre as falcatruas nas obras para a Copa, a maioria dos veículos demonstraram falta de percepção ao analisar a novela. Dizer que o astro volta para o Brasil porque o nosso futebol passa por um bom momento financeiro ou é competitivo o suficiente para fazer frente ao europeu é um crime.

A volta de Ronaldinho ao Brasil serviu apenas para mostrar o quanto nosso esporte é incoerente e, principalmente, amador. Aqui é o caminho mais fácil para ídolos decadentes buscarem sombra e água fresca, utilizando suas imagens “intocáveis” e a paixão do torcedor brasileiro para travestir a falta de profissionalismo. Um brinde à aposentadoria de mais um craque. Dizer que aqui é o país do futebol já é algo totalmente questionável!


1 comentários:

João Luis Pinheiro disse...

É Patrick, você tocou na ferida. Infelizmente, para a alegria daqueles (como nós) que amam o futebol, Ronaldinho é mais um aposentado em atividade. Digo isso com muito pesar. Era seu fã incondicional. Se tivesse mantido por pelo menos mais quatro anos aquele nível genial dos tempos de Barcelona, hoje seria lembrado como um dos grandes da História, bem próximo do que foi Maradona. Um triste fim...