sexta-feira, 25 de junho de 2010

O "Nó Tático" de Marcelo Lippi


A queda da Itália logo na primeira fase da Copa do Mundo (sem ganhar nenhum jogo) escancara uma crise que já era prevista até mesmo em 2006: a falta de renovação. O número de estrangeiros que atuam no Calcio é extremamente nocivo para um país de tanta tradição. Apesar das dificuldades em encontrar craques “nativos”, outro ponto foi crucial para a eliminação “precoce”: Marcelo Lippi.


O treinador italiano abusou do direito de errar. As falhas começaram logo na convocação. Não levar Totti, Del Piero e Cassano foi sim um erro irreparável, mas essa decisão nem merece ser tão discutida porque ainda havia a possibilidade de “se virar” com o que tinha.


Já em solo africano, o técnico continuou o show de “burrices”. Antonio Di Natale, artilheiro do Campeonato Italiano, com 29 gols marcados, ganhou um lugar de honra na equipe: o banco de reservas. O mesmo prêmio foi concedido a Fabio Quagliarella, que anotou 11 tentos. Já a péssima temporada realizada pelo CENTRO-AVANTE Vicenzo Iaquinta, autor de incríveis seis gols, rendeu ao atleta a vaga de titular como PONTA-ESQUERDA. É algo realmente inaceitável.


Lippi também deu um espetáculo na defesa. O decadente Fabio Cannavaro não possui a menor condição de jogar exposto daquela maneira. O gigante de 1,76m sempre foi reconhecido pela ótima impulsão e pela velocidade para antecipar as jogadas. Mas será ninguém notou que ele já está com 36 anos? Um 3-5-2 com ele na sobra seria o ideal. A Itália ganharia força defensiva e ainda não deixaria no “mano-a-mano” o zagueiro, algo semelhante ao que aconteceu com o já veterano Paolo Maldini em 2002.


Outra falha evidente foi deixar o miolo de zaga inteiro da Juventus. Sexta pior defesa do Calcio, a Juve tomou 56 gols. O que fez Lippi acreditar que Cannavaro e Giorgio Chiellini iriam melhorar na Copa do Mundo?


O meio de campo sem criatividade é a principal vítima da falta de renovação no futebol italiano. Uma equipe tetra campeã não pode ficar dependente de um volante como Andrea Pirlo. Para não dizer que foi tudo uma desgraça, Riccardo Montolivo comprovou minhas apostas e foi o principal destaque da Azzurra.


Assim, é possível concluir que a Itália estava com um time fraco, mas Marcelo Lippi tratou de enfraquecer ainda mais!!!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Patriotismo bissexto


“Não tem como! Na Copa, o Brasil pára!!!”, foi com essa expressão que o meu amigo Bruno Gazolla definiu o clima antes da partida de estréia da Seleção Brasileira na África do Sul... e não era para menos.


Às 13 horas o mundo parecia que ia acabar. Pessoas corriam de um lado para o outro, ônibus lotados, filas gigantes para abastecer o carro e o supermercado.....deixa pra lá. Parecia ano novo! Não me espantaria se visse algumas pessoas de branco e com a Cidra na mão!!!


De fato, a Copa do Mundo tem o poder de mobilizar todo e qualquer brasileiro. Muitos que estavam naquela pressa toda nem sabiam a escalação completa do Brasil ou qual era o adversário. Não faziam a menor idéia de que Júlio César se tornou o melhor goleiro do MUNDO, que Grafite foi homenageado por fazer o gol MAIS BONITO da história do Wolfsburg e que Nilmar é atacante do modesto Villarreal. A Seleção Brasileira se resume a Kaká (galã), Robinho (habilidoso) e Dunga (sempre tem um que precisa ser xingado).


O hino nacional foi proclamado com garra, vontade e orgulho. As bandeirinhas nas ruas pintadas de verde e amarelo denunciaram que ali existiam brasileiros felizes! Pena que o povo não é assim para reivindicar seus direitos, para cobrar os políticos que nos roubam direto ou coisas assim. Tem quem diga que é hora de extravasar, que as sofridas pessoas que vivem nesse país necessitam de diversão, mas e quando o mundial acabar?


Após a Copa, o Brasil voltará a ser um país de merda para muitos daqueles que corriam apressados com o intuito de ver o jogo. Mas, o que vale é o espírito patriota, o orgulho em ser brasileiro, mesmo que seja apenas durante um mês a cada quatro anos. Somos um povo bissexto?


sexta-feira, 11 de junho de 2010

1 mês de sonhos


A hora da verdade chegou! A Copa do Mundo finalmente teve início e mal posso expressar o que um momento como esse representa para um jornalista esportivo! Logo, antes que vire uma novela, vamos aos meus favoritos!!!


1- Alemanha: Finalista em 2002, semifinalista em 2006, vice-campeã européia em 2008. Já não é de hoje que os alemães “batem na trave”. Regularidade e camisa de peso são as principais armas da equipe comandada por Joachim "Jogi" Löw. Mesmo sem contar com Michael Ballack, a Alemanha possui sete jogadores do Bayern de Munique (vice-campeão da Champions League 2009-2010).


Definitivamente a base é excelente e o goleiro Manuel Neuer só pode ser criticado por quem não acompanha o Campeonato Alemão. O baixinho Philipp Lahm e o gigante Per Mertesacker são os pontos fortes ao lado de Neuer na defesa. O ponto fraco é a falta de mobilidade do ataque. Cacau e Mario Gomez são lentos, eles vão depender muito da inspiração do meio de campo!!!


2 – Espanha: O retrospecto é incrível, mas a pressão por nunca ter conquistado a Copa pesa sobre os ombros espanhóis. É algo que se assemelha ao Corinthians e a Libertadores. Campanha boa não garante o título.


Vicente Del Bosque sempre foi um técnico vencedor. Para quem não se lembra, ele foi o último a “dar um jeito” no galáctico Real Madrid e levou o clube Merengue ao título europeu. O segundo fator importante na seleção espanhola é a força do elenco. Com o melhor meio de campo do mundo (Xavi, Iniesta, Busquets, Fabregas David Silva e Xabi Alonso) e um ataque simplesmente mortal (Fernando Torres, David Villa, a promessa Juan Mata e o “grandalhão” Fernando Llorente), os espanhóis possuem um time forte, mas demonstra pontos fracos em diversos aspectos, principalmente no defensivo.


A defesa da Fúria deixa a desejar pela falta de renovação. Iker Casillas há algum tempo tem demonstrado erros infantis. É o típico goleiro que busca todas as bolas no ângulo e deixa passar algumas no meio do gol. Charles Puyol necessita de um esquema igual ao do Barcelona, mais protegido pelos volantes e laterais, para não cansar devido à idade avançada. Mas ainda sim é o melhor defensor da seleção.


O pior defeito espanhol está nas laterais. Capdevila, Arbeloa, Sergio Ramos e Marchena não são confiáveis quando expostos a ataques poderosos. Talvez porque a maioria começou como zagueiro nas categorias inferiores. A falta de renovação defensiva é a principal inimiga da Fúria.


3- Argentina: As qualidades de Carlos Tevez, Diego Milito, Sérgio Agüero, Gonzalo Higuain e Lionel Messi dispensam qualquer tipo de comentário. Por outro lado, as deficiências de Martín Demichelis, Gabriel Heinze, Nicolás Otamendi e Nicolas Burdisso também dispensam qualquer tipo de comentário.


Os Hermanos chegam à África com o melhor ataque dos últimos tempos e com todos em um ótimo momento. O que pode pesar é a pouca experiência de Maradona no comando, caso haja alguma crise ou a necessidade de uma mudança tática.


4 – Brasil: A Seleção Canarinho venceu tudo o que precisava e chega à Copa com um retrospecto invejável, mas números não entram em campo. Acredito que essa seja a primeira vez que o Brasil disputa o mundial com a defesa visivelmente melhor do que o ataque. Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos estão “iluminados”. Entretanto, a forma física e técnica do ataque são incógnitas. A insistência de Dunga em colocar o Felipe Melo como titular pode prejudicar, e muito, o desempenho brasileiro no “Safári pela África”. Porém, o Brasil é o Brasil....Todos respeitam.


5- Inglaterra: Os desfalques de Rio Ferdinand e David Beckham com certeza serão sentidos. Além disso, a Inglaterra não possui um goleiro confiável e muito menos um centro-avante decente. Se o meio de campo fizer o seu papel e, principalmente, se Wayne Rooney demonstrar o futebol decisivo que o fez ídolo inglês, a equipe comandada pelo italiano Fabio Capello terá grandes chances de vencer o mundial.


O ideal seria começar com o baixinho Aaron Lennon no banco de reservas para que ele possa se tornar uma opção viável em uma necessidade de mudança tática ou apenas para colocar mais velocidade no time. Acredito que o Capello vai colocar Lennon como titular.


6- Holanda: Concordo com o meu amigo João “Bigod”, a Holanda tem o melhor time desde 98. Porém, a insegurança de Maarten Stekelenburg no gol, a idade avançada de Gio Van Bronckhorst e a péssima condição técnica de Khalid Boulahrouz preocupam.


O meio de campo confirma o Ajax como um celeiro de craques. Rafael Van der Vaart e Wesley Sneijder são promessas que “deram certo” e vingaram no futebol mundial. Arjen Robben, Dirk Kuyt e Robin Van Persie são ótimos e formam um ataque extremamente veloz. Outro problema é que a Holanda não possui um banco de reservas aceitável, caso alguém se machuque...será um verdadeiro “Deus nos acuda”.


7 – Itália: A Azzurra chega à Copa apenas com o peso da camisa. A falta de renovação é gritante. Fabio Cannavaro já não é mais o mesmo zagueiro desde 2006, quando foi eleito o melhor jogador do Mundo. Sem contar com o aposentado Alessandro Nesta, o ótimo zagueiro Giorgio Chiellini deve ficar sobrecarregado. O mesmo pode acontecer com Andrea Pirlo, que é o único homem de “criação” no meio. Francesco Totti, Filippo Inzaghi e Luca Toni vão fazer falta ao ataque, mas a temporada realizada por Antonio Di Natale e Alberto Gillardino, mesmo lentos, pode fazer a diferença.


O destaque fica por conta da única revelação nesses quatro anos: Riccardo Montolivo, da Fiorentina. O volante realmente demonstrou um ótimo trabalho nas últimas temporadas e pode surpreender principalmente aqueles que não acompanham o

Calcio.


Surpresas


Portugal: A “Cristiano Ronaldo Dependência” vai pesar e muito sobre os ombros do jogador. Mais maduro e decisivo do que na última Copa, Cristiano despontará, sem dúvidas, como um dos grandes dessa competição, mas resta saber como vai estar o restante do time.


França: As besteiras e “birras” do técnico Raymond Domenech são o maior ponto fraco da França. O ataque realmente é uma incógnita. Há tempos Thierry Henry não demonstra o futebol que o consagrou na Inglaterra, para ser mais preciso desde que se transferiu para o Barcelona. Sem um grande goleiro e com uma defesa extremamente vulnerável, os franceses terão dificuldades para segurar uma seleção forte ofensivamente. Para surpreender, o time vai precisar, e muito, de Yohan Gourcuff e Frank Ribery.


México: Carlos Vela,Guardado e Giovani Dos Santos podem dar muita dor de cabeça para as defesas rivais. Velocidade e habilidade são fatores essenciais, mas a carência de um homem-gol é visível, já que Guile Franco não vive uma grande fase.