quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O negócio religioso


Nesta semana, uma matéria postada na Globo.com chamou, e muito, a minha atenção. A pequena reportagem, intitulada ‘Aparecida’ é presença católica no ano em que o cinema foi de Chico Xavier, afirma que o filme trata-se de uma resposta católica ao sucesso dos longas “Chico Xavier” e “Nosso Lar”, ambos com temática espírita.

O que mais me surpreendeu nessa história foi que, apesar do conteúdo totalmente tendencioso (característica básica da Vênus prateada, que possui uma “quedinha” pelo espiritismo), a matéria da Globo estava mais do que correta e deu margem a uma questão. Qual é o objetivo dos filmes religiosos?

A minha opinião é que tanto cineastas quanto líderes de igrejas e fiéis possuem papéis distintos e recebem “frutos” com esse tipo de produção. Todos ganham! Os roteiristas/produtores/ etc. se aproveitam da temática apelativa e lucram com os estrondosos números de bilheteria. Já os líderes de igrejas e fiéis saem com a sensação de dever cumprido, com o orgulho de terem dado uma resposta à altura e não deixarem que outra religião levasse vantagem nem nos cinemas.

Resposta??? Para quem cara pálida??? Puro orgulho! Trata-se de uma batalha pela obra mais bela, pela imposição de um ponto de vista, de uma crença sem provas. Dessa forma, é apena uma questão de tempo para que evangélicos e judeus também se arrisquem nas telonas! Preparem-se, pois uma enxurrada de filmes religiosos, dos mais variados tipos, deve surgir nos próximos anos.

Seria insensato e insensível dizer que a temática é proibida, afinal cada um faz o que quer, mas não nos moldes que têm se desenhado, como resposta, como forma de orgulho, tirando proveito do fanatismo do povo brasileiro.

Caso apóiem ‘Aparecida’, e isso tem tudo para acontecer, os fiéis católicos, assim como os líderes da igreja, vão morder a isca e revelarem que a ideia não passa de um contra-ataque religioso, além de um ingênuo (ou não) pecado. Nunca li a bíblia inteira, mas sei que o orgulho, que tem como representante o ex-anjo Lúcifer, é um dos sete pecados capitais... Tudo o que a igreja abomina e luta contra!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Como folhas de outono


Vítimas do cotidiano, muitas vezes não temos a sensibilidade necessária para perceber que a história é escrita bem diante dos nossos olhos. Ontem, dia 29 de novembro de 2010, a goleada do Barcelona (5 a 0) sobre o Real Madrid ficará para sempre na memória de quem é fã de futebol.

A verdadeira “surra” imposta pelo clube catalão em seu maior rival foi algo simplesmente humilhante. O show de uma equipe que não investe absurdos contra um time que aposta em contratações galácticas. O triunfo das categorias de base sobre o dinheiro.

Os técnicos brasileiros deveriam assistir todos os dias ao jogo que aconteceu no Camp Nou. Uma aula de futebol bem jogado, com passes certos, movimentação constante e penetração. Sem nenhum volante “brucutu”, o Barça dominou, de maneira inapelável, o meio de campo e arremessou o Madrid nas cordas.

A apresentação de Puyol, Xavi, Iniesta, Villa e Messi deve ter feito Joel Santana arremessar a sua famosa prancheta no lixo. Deve ter feito Tite apagar a lousa. Deve ter feito Carpegiani demolir o laboratório de táticas mirabolantes. Incrédulo, Felipão deve ter se questionado: “como pode um time jogar tanto sem nenhum dia de concentração?” Sim... Além disso, os jogadores se apresentaram no dia da partida e após o almoço!!! E como ficam os anos de estudo do Luxemburgo? É muita falta de respeito! Uma afronta ao esporte!

Enquanto todos no Brasil, o país do esporte bretão, buscam fórmulas e criam teorias do “entrega-entrega”, os Culé se preocupam em praticar, com maestria, algo simples... Como é o nome mesmo??? ...?????....Ahhh lembrei!!! É FUTEBOL!!!

“Os gols no Camp Nou caem como folhas de outono, naturalmente, com a cadência certa, de forma bela e serena. Sinal de prosperidade e saúde no futebol”. (Ramon Besa, do jornal El País)

Se você é fã de futebol e não viu o que aconteceu na Catalunha... Procure no Google ou YouTube. É mais um capítulo importante da história esportiva mundial.

sábado, 20 de novembro de 2010

Sim....eu sei como é!


Um forte abraço para todos os que, assim como eu, sentem na pele as diferenças do cotidiano

Um forte abraço para todos os que, assim como eu, carregam na pele a marca da batalha

Um forte abraço para todos os que, assim como eu, precisam mostrar que são duas vezes melhores para não serem deixados de lado

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Pippo Inzaghi segna per noi


Ontem, dia 4 de novembro, Filippo Inzaghi marcou o seu gol de número 70 em competições européias e tornou-se o maior artilheiro desse tipo de torneio.

Eu poderia escrever um texto enorme para falar sobre os feitos de Pippo, mas Arrigo Sacchi poupou minhas palavras e foi um verdadeiro gigante ao definir o homem que comemora cada gol como se fosse o último.

Se você conheçe Pippo Inzaghi....leia e, fatalmente, concorde:

"Inzaghi, o goleador. Pippo, o infinito. O homem que a cada gol enlouquece de alegria. O jogador que nunca envelhece. O grande campeão que marca sempre. O profissional que vive por sua profissão. O apaixonado pelo futebol que nunca trai. O jogador que faz da obsessão um valor agregado, e inclusive Pavesi escrevia que a obsessão é arte. Portanto, o artista que nunca se cansa de jogar, sonhar e marcar. O atleta que sabe se programar para dar o melhor de si. Pippo é orgulhoso, detalhista, um perfeccionista. Estuda adversários, goleiros: não deixa nada ao acaso, treina com seriedade e grande profissionalismo.

Leva uma vida de atleta de alto nível. Seu desafio é perene, onde o dever é finalizar. Talvez seja egoísta, talvez não participe muito do jogo de equipe. Mas no momento oportuno se encontra no lugar certo no momento certo. O gol é sua profissão, sua droga, seu orgasmo e sua vitória. É uma luta perene, um desafio entre ele e o gol.

O futebol é sua vida, e como pessoa inteligente e de grande consciência profissional, Pippo faz de tudo para buscar a excelência. Seus movimentos são quase todos voltados para a finalização. Prevê, antecipa, intui antes dos outros. Possui reatividade e capacidade de movimento e desmarcação extraordinários: parece sortudo, mas é simplesmente competente. Marca com o pé, cabeça, canela, joelho, barriga, etc. O importante é fazer gol.

Pippo é um predador que na área se movimenta como um envenenado. O instinto, unido a vontade, motivação e paixão formidáveis, multiplicam seu talento. Não possui um físico potente e explosivo. Não é particularmente veloz, tem qualidades técnicas (drible, chute, impulsão e passe) normais como o conhecimento do jogo coletivo. Pippo ama o futebol desde sempre, e desde pequeno queria absolutamente se tornar um grande jogador. A extraordinária motivação, unida a orgulho, seriedade, trabalho e amor pelo esporte, foram multiplicadores das suas qualidades.

Além disso, ele soube ampliar os dotes naturais que possui, como atenção, percepção, intuição. Pippo é um fenômeno a ser estudado e imitado em muitas coisas. Não se sabe quando ele terminará de jogar e marcar: a paixão certamente prolongará sua carreira. Ele se renderá tarde, o mais tarde possível. O futebol é sua vida. Todos os garotos que se aproximam deste esporte podem ter, graças a Pippo, uma esperança a mais.

Até mesmo aqueles que não possuem dotes em particular podem obter grandes melhoras desde que igualem seu empenho, paixão e disciplina. Deverão portanto imitar SuperPippo, que aos 36 anos se diverte, marca e sonha como quando era um garoto.

Arrigo Sacchi - La Gazzetta dello Sport - 17/3/2009".

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Quando a pérola pode se tornar uma pedra


A atitude adotada por Neymar ontem na partida contra o Atlético-GO foi extremamente patética. Como um jogador que conquistou apenas um Campeonato Paulista e uma Copa do Brasil pode fazer aquilo? Discutir com o treinador por causa de um pênalti?


Dorival Júnior já tinha avisado que Neymar não seria mais o cobrador oficial da equipe. Logo, o atacante desrespeitou não apenas uma decisão direta do treinador, mas também os companheiros de time.


Há tempos a jóia santista tem enfiado “o pé pelas mãos” em diversas oportunidades, principalmente quando se trata de entrevistas e redes sociais. Definitivamente, está mais do que na hora de alguém por um ponto final nessas presepadas e dar um belo puxão de orelhas nesse garoto. Enquanto ficarem apenas “passando a mão” na cabeça dele a tendência é de que as coisas piorem a cada jogo.


Neymar possui um salário maior do que vários jogadores profissionais há muito tempo. O que o pai dele fez com o dinheiro? Ele não poderia ter sido educado de uma maneira mais “firme”? Em escolas melhores? Com melhores amigos?


O ótimo trabalho do presidente Luís Álvaro de Oliveira em segurar o Neymar na Vila pode ter tido um efeito adverso. O esforço milionário do Santos fez com que o garoto se ache o dono do time. Afinal, quem vai questionar o jovem que “rejeitou” o Chelsea para continuar na equipe por “amor ao clube”?


O futebol brasileiro anda tão desprovido de verdadeiros craques que qualquer moleque que aparece na mídia vira ídolo. A carência do nosso esporte abre brechas para que um clube tradicionalíssimo, como é o caso do Santos, se torne refém das criancices de um projeto de craque.


Vale lembrar que Neymar é sim um ótimo jogador, mas visivelmente ainda não atingiu o seu melhor. É um craque em construção! Na mesma medida em que é um projeto de homem cada vez mais falho.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

20 anos de uma lenda






No dia 7 de setembro, Rogério Ceni completou 20 anos de São Paulo Futebol Clube. Uma marca histórica, reverenciada, difícil de conseguir, principalmente quando se trata de futebol brasileiro. Carente de craques, o esporte nacional, independente da modalidade, deve se orgulhar de ter alguém como o arqueiro tricolor. Essas são definições corriqueiras que a imprensa utiliza ao falar do goleiro, mas só o torcedor são-paulino sabe o que significa ter Ceni no time.


O que faz de Rogério o tão aclamado mito? Sinceramente, não acredito que seja pela capacidade debaixo das traves. Seria loucura dizer que RC não é um excelente atleta, mas já tive a oportunidade de ver arqueiros (daqueles que “só jogam no gol”) melhores, como por exemplo, Van der Sar e Oliver Kahn.


Então seria pela rara habilidade com os pés, que garantiram 90 tentos na carreira e um lugar no Guinness Book como o maior goleiro artilheiro da história? Também não! Claro que essa qualidade ajudou a “elevar” o nome do craque, porém não foi preponderante.


Não seria justo falar da indicação para a Bola de Ouro da France Football ou dos recordes. Os números são importantes, mas ainda podem ser “contestados”, como por exemplo, os 988 minutos sem sofrer gols no Brasileirão. Há quem diga que os zagueiros ficaram com a maior parte do trabalho e aí amigo, vira discussão de bar.


A postura adotada pelo arqueiro, dentro e fora de campo, é o que faz dele um grande ídolo e isso sim é INCONTESTÁVEL. Poucos atletas no país são tão respeitados e possuem tamanha identificação com um clube quanto o goleiro tricolor. Hoje, não há como desvincular a imagem de Rogério Ceni do São Paulo Futebol Clube, é quase um sinônimo.


O capitão são-paulino chega a assustar pela forma como se comporta no gramado. O jeito firme de orientar a equipe e de se entregar para defender o tricolor é único. A confiança transmitida nas entrevistas é o fator que, definitivamente, me encanta, bem como é o que mais irrita os adversários, relutantes em admitir que gostariam de ter um ídolo assim.


Nosso esporte tem ficado cada vez mais chato e sem graça. O futebol atual é marcado por jogadores que não sabem responder perguntas no singular, por medo de assumirem o que pensam. É por conta desse “marasmo ideológico” que Ceni é cultuado. O Brasil precisa, urgentemente, desse tipo de atleta. Essa postura, agora sim, aliada às qualidades citadas acima e aos 14 títulos conquistados com a camisa tricolor, faz de Rogério uma pessoa amada pelos torcedores do tricolor e “odiada” pelos rivais.


E se passaram duas décadas, imensa parte das minhas 23 primaveras, com o mito no gol. Acredito que o Brasil nunca mais verá um goleiro-capitão-artilheiro tão querido por uma torcida. Radiante, eu estou vivo para acompanhar. Só os grandes entram para a história...e Rogério, há algum tempo, já tem o nome marcado nela.


Todos têm goleiro... só o São Paulo tem Rogério Ceni.


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A farsa é (Multi) Show


Na noite desta terça-feira (24) de agosto, aconteceu mais uma edição do Prêmio Multishow e GRAÇAS AO BOM DEUS eu não assisti! Mas só de saber quem foram os “grandes” e “merecidos” vencedores já senti vergonha.


Não se trata de uma crítica sem nenhuma base. Já escutei TODOS os artistas que concorreram ao prêmio e posso garantir, com toda a certeza deste mundo e dos outros também, que a maioria não tem qualidade o suficiente nem para passar perto da Arena HSBC, no Rio de Janeiro, local onde foi realizada a heresia.


Ver o Cine desbancar nomes como Titãs e Skank é simplesmente triste. Não que os veteranos tenham feito trabalhos excelentes nos últimos tempos, mas imagino como o Samuel Rosa, com tantos anos de estrada e um talento incrível, deve ter se sentido quando viu aquela pouca vergonha acontecer. A vitória da faixa “Recomeçar” do Restart como melhor música pode ser considerada uma verdadeira afronta aos grandes instrumentistas e compositores brasileiros.


O que aconteceu com a música brasileira? Pior ainda: o que aconteceu com o mercado fonográfico? Ser raso e vender apenas o que é “chiclete” já eram características pra lá de conhecidas, mas “apelão” ao ponto de mirar apenas “pré-adolescentes” é um pouco demais.


Para melhorar o quadro, a dupla Zezé Di Camargo e Luciano acusaram os organizadores do prêmio de manipular votos. A resposta para a denúncia é simples. O Multishow dita quem são “as bolas da vez” e, de quebra, ajuda o fraco mercado fonográfico a se levantar um pouco, uma vez que vivemos na era do download. Como se chama isso mesmo????......deixa eu ver.....ahhh lembrei!!! É Troca de favores, ou o popular “jogo de comadres”.


Tudo não passa de uma verdadeira enganação, onde os bandidos são os mocinhos e a bela dama a ser conquistada não passa de um bando de crianças, que acreditam fielmente no que é transmitido através do computador. Acredito que o Multishow, assim como o mercado fonográfico, deveria ser acusado de pedofilia musical.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Raúl (para sempre) Madrid


Jamais cogitei qualquer possibilidade de ver Raúl com a camisa de um clube que não fosse a do Real Madrid, mas esse triste dia chegou. O maior artilheiro da história merengue, com 323 gols em 741 partidas, deixou o Real e assinou com o Schalke 04.


Com o Madrid, Raúl conquistou seis vezes a La Liga, três Champions League (sendo o maior artilheiro da história da competição, com 66 tentos), quatro Supercopas da Espanha, uma Supercopa da Europa e dois Mundiais Interclubes.


Ver Raúl jogar fez parte da minha adolescência. Sempre admirei a forma como ele se apresentava em campo e a maneira simples com a qual fazia gols. Se hoje tenho admiração pelo Madrid, com certeza Raúl foi uma influência.


Quando conversava com amigos sobre ídolos, o atacante do Real sempre figurava em minha mente. Não pelo futebol atraente, Raúl nunca foi um jogador espetacular, mas era um capitão como poucos. Ele possuía uma identificação gigante com o clube espanhol, algo muito raro no futebol atual, que pouco valoriza os ídolos.


Via Raúl como um ser de postura diferenciada, algo místico. Alguém que amava a camisa que vestia, assim como Marcos, Rogério Ceni e Maldini (os grandes capitães que tive a oportunidade de acompanhar).


A braçadeira, os beijos na aliança, os dedos que indicavam o número sete na camisa e por fim os socos no escudo do Real, sempre com dois dedos levantados. Definitivamente será difícil ver Raúl defender outras cores. Ainda mais dolorido será ver a mala do Cristiano Ronaldo assumir a camisa 7.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Longe de tudo


Perto de uma pane!!! Essa é a melhor definição para a minha mente. Pensar demais e em muitas coisas ao mesmo tempo definitivamente pode afetar a saúde mental de uma pessoa.


Tentar definir tudo e ter uma explicação para cada movimento próprio ou alheio é algo que ninguém deveria cogitar.


Entrei em um ciclo interminável de ansiedade. Queria que todos os dias voassem para que eu finalmente encontrasse uma resposta para os problemas criados pela minha mente, mas tudo foi em vão. Até então, pouco aproveitei o meu tempo livre.


Certas vezes é melhor deixar o tempo correr e aproveitar aquilo que já é uma realidade. Deixar acontecer, lembrar a essência, recarregar as energias...


Pensamentos soltos...


Sem respostas...


Órbita mental...


Realmente estou de férias?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Noel Gallagher detona Rooney e Lampard


A goleada histórica da Alemanha sobre a Inglaterra (4 a 1) nas oitavas de final da Copa do Mundo também deu o que falar no mundo da música. Fanático por futebol e torcedor assumido do Manchester City, Noel Gallagher deixou de lado as persistentes questões sobre o fim do Oasis e soltou o verbo contra o fraco desempenho do English Team na Copa do Mundo.

No último domingo (11), pouco tempo antes da final entre Espanha e Holanda, o guitarrista demonstrou toda a sua insatisfação com o time comandado pelo técnico Fabio Capello e não poupou críticas a Wayne Rooney e Frank Lampard.

“O Rooney jogou como se estivesse sob o efeito da hipnose. É como se alguém o tivesse sob seu controle e falasse: 'Você vê aquela coisa redonda? Quando você for jogar, vai agir como se nunca tivesse visto uma dessas antes e não saberá o que fazer com ela’”, disparou Noel em entrevista à rede BBC.

O ex-Oasis também disse que quando a Premier League (Campeonato Inglês) retornar não quer nem ouvir elogios ao futebol dos dois atletas.

“No fim das contas, eles não foram bons o bastante. No ano que vem, quando eu estiver assistindo TV, não quero nem ouvir falar que Wayne Rooney ou Frank Lampard são jogadores de primeira linha do mundo”.

Noel finalizou ao dizer que jogadores de primeira linha são aqueles que decidem as partidas em torneios realmente importantes, caso de uma Copa do Mundo, o que rebaixaria o patamar de craques de Rooney e Lampard.

“Primeira linha do mundo quer dizer chegar a um torneio como a Copa e mostrar no palco do mundo o seu talento. Eles nunca fizeram isso. Existem muitos ingleses de primeira linha? Eu não acho!”.



sexta-feira, 25 de junho de 2010

O "Nó Tático" de Marcelo Lippi


A queda da Itália logo na primeira fase da Copa do Mundo (sem ganhar nenhum jogo) escancara uma crise que já era prevista até mesmo em 2006: a falta de renovação. O número de estrangeiros que atuam no Calcio é extremamente nocivo para um país de tanta tradição. Apesar das dificuldades em encontrar craques “nativos”, outro ponto foi crucial para a eliminação “precoce”: Marcelo Lippi.


O treinador italiano abusou do direito de errar. As falhas começaram logo na convocação. Não levar Totti, Del Piero e Cassano foi sim um erro irreparável, mas essa decisão nem merece ser tão discutida porque ainda havia a possibilidade de “se virar” com o que tinha.


Já em solo africano, o técnico continuou o show de “burrices”. Antonio Di Natale, artilheiro do Campeonato Italiano, com 29 gols marcados, ganhou um lugar de honra na equipe: o banco de reservas. O mesmo prêmio foi concedido a Fabio Quagliarella, que anotou 11 tentos. Já a péssima temporada realizada pelo CENTRO-AVANTE Vicenzo Iaquinta, autor de incríveis seis gols, rendeu ao atleta a vaga de titular como PONTA-ESQUERDA. É algo realmente inaceitável.


Lippi também deu um espetáculo na defesa. O decadente Fabio Cannavaro não possui a menor condição de jogar exposto daquela maneira. O gigante de 1,76m sempre foi reconhecido pela ótima impulsão e pela velocidade para antecipar as jogadas. Mas será ninguém notou que ele já está com 36 anos? Um 3-5-2 com ele na sobra seria o ideal. A Itália ganharia força defensiva e ainda não deixaria no “mano-a-mano” o zagueiro, algo semelhante ao que aconteceu com o já veterano Paolo Maldini em 2002.


Outra falha evidente foi deixar o miolo de zaga inteiro da Juventus. Sexta pior defesa do Calcio, a Juve tomou 56 gols. O que fez Lippi acreditar que Cannavaro e Giorgio Chiellini iriam melhorar na Copa do Mundo?


O meio de campo sem criatividade é a principal vítima da falta de renovação no futebol italiano. Uma equipe tetra campeã não pode ficar dependente de um volante como Andrea Pirlo. Para não dizer que foi tudo uma desgraça, Riccardo Montolivo comprovou minhas apostas e foi o principal destaque da Azzurra.


Assim, é possível concluir que a Itália estava com um time fraco, mas Marcelo Lippi tratou de enfraquecer ainda mais!!!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Patriotismo bissexto


“Não tem como! Na Copa, o Brasil pára!!!”, foi com essa expressão que o meu amigo Bruno Gazolla definiu o clima antes da partida de estréia da Seleção Brasileira na África do Sul... e não era para menos.


Às 13 horas o mundo parecia que ia acabar. Pessoas corriam de um lado para o outro, ônibus lotados, filas gigantes para abastecer o carro e o supermercado.....deixa pra lá. Parecia ano novo! Não me espantaria se visse algumas pessoas de branco e com a Cidra na mão!!!


De fato, a Copa do Mundo tem o poder de mobilizar todo e qualquer brasileiro. Muitos que estavam naquela pressa toda nem sabiam a escalação completa do Brasil ou qual era o adversário. Não faziam a menor idéia de que Júlio César se tornou o melhor goleiro do MUNDO, que Grafite foi homenageado por fazer o gol MAIS BONITO da história do Wolfsburg e que Nilmar é atacante do modesto Villarreal. A Seleção Brasileira se resume a Kaká (galã), Robinho (habilidoso) e Dunga (sempre tem um que precisa ser xingado).


O hino nacional foi proclamado com garra, vontade e orgulho. As bandeirinhas nas ruas pintadas de verde e amarelo denunciaram que ali existiam brasileiros felizes! Pena que o povo não é assim para reivindicar seus direitos, para cobrar os políticos que nos roubam direto ou coisas assim. Tem quem diga que é hora de extravasar, que as sofridas pessoas que vivem nesse país necessitam de diversão, mas e quando o mundial acabar?


Após a Copa, o Brasil voltará a ser um país de merda para muitos daqueles que corriam apressados com o intuito de ver o jogo. Mas, o que vale é o espírito patriota, o orgulho em ser brasileiro, mesmo que seja apenas durante um mês a cada quatro anos. Somos um povo bissexto?


sexta-feira, 11 de junho de 2010

1 mês de sonhos


A hora da verdade chegou! A Copa do Mundo finalmente teve início e mal posso expressar o que um momento como esse representa para um jornalista esportivo! Logo, antes que vire uma novela, vamos aos meus favoritos!!!


1- Alemanha: Finalista em 2002, semifinalista em 2006, vice-campeã européia em 2008. Já não é de hoje que os alemães “batem na trave”. Regularidade e camisa de peso são as principais armas da equipe comandada por Joachim "Jogi" Löw. Mesmo sem contar com Michael Ballack, a Alemanha possui sete jogadores do Bayern de Munique (vice-campeão da Champions League 2009-2010).


Definitivamente a base é excelente e o goleiro Manuel Neuer só pode ser criticado por quem não acompanha o Campeonato Alemão. O baixinho Philipp Lahm e o gigante Per Mertesacker são os pontos fortes ao lado de Neuer na defesa. O ponto fraco é a falta de mobilidade do ataque. Cacau e Mario Gomez são lentos, eles vão depender muito da inspiração do meio de campo!!!


2 – Espanha: O retrospecto é incrível, mas a pressão por nunca ter conquistado a Copa pesa sobre os ombros espanhóis. É algo que se assemelha ao Corinthians e a Libertadores. Campanha boa não garante o título.


Vicente Del Bosque sempre foi um técnico vencedor. Para quem não se lembra, ele foi o último a “dar um jeito” no galáctico Real Madrid e levou o clube Merengue ao título europeu. O segundo fator importante na seleção espanhola é a força do elenco. Com o melhor meio de campo do mundo (Xavi, Iniesta, Busquets, Fabregas David Silva e Xabi Alonso) e um ataque simplesmente mortal (Fernando Torres, David Villa, a promessa Juan Mata e o “grandalhão” Fernando Llorente), os espanhóis possuem um time forte, mas demonstra pontos fracos em diversos aspectos, principalmente no defensivo.


A defesa da Fúria deixa a desejar pela falta de renovação. Iker Casillas há algum tempo tem demonstrado erros infantis. É o típico goleiro que busca todas as bolas no ângulo e deixa passar algumas no meio do gol. Charles Puyol necessita de um esquema igual ao do Barcelona, mais protegido pelos volantes e laterais, para não cansar devido à idade avançada. Mas ainda sim é o melhor defensor da seleção.


O pior defeito espanhol está nas laterais. Capdevila, Arbeloa, Sergio Ramos e Marchena não são confiáveis quando expostos a ataques poderosos. Talvez porque a maioria começou como zagueiro nas categorias inferiores. A falta de renovação defensiva é a principal inimiga da Fúria.


3- Argentina: As qualidades de Carlos Tevez, Diego Milito, Sérgio Agüero, Gonzalo Higuain e Lionel Messi dispensam qualquer tipo de comentário. Por outro lado, as deficiências de Martín Demichelis, Gabriel Heinze, Nicolás Otamendi e Nicolas Burdisso também dispensam qualquer tipo de comentário.


Os Hermanos chegam à África com o melhor ataque dos últimos tempos e com todos em um ótimo momento. O que pode pesar é a pouca experiência de Maradona no comando, caso haja alguma crise ou a necessidade de uma mudança tática.


4 – Brasil: A Seleção Canarinho venceu tudo o que precisava e chega à Copa com um retrospecto invejável, mas números não entram em campo. Acredito que essa seja a primeira vez que o Brasil disputa o mundial com a defesa visivelmente melhor do que o ataque. Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos estão “iluminados”. Entretanto, a forma física e técnica do ataque são incógnitas. A insistência de Dunga em colocar o Felipe Melo como titular pode prejudicar, e muito, o desempenho brasileiro no “Safári pela África”. Porém, o Brasil é o Brasil....Todos respeitam.


5- Inglaterra: Os desfalques de Rio Ferdinand e David Beckham com certeza serão sentidos. Além disso, a Inglaterra não possui um goleiro confiável e muito menos um centro-avante decente. Se o meio de campo fizer o seu papel e, principalmente, se Wayne Rooney demonstrar o futebol decisivo que o fez ídolo inglês, a equipe comandada pelo italiano Fabio Capello terá grandes chances de vencer o mundial.


O ideal seria começar com o baixinho Aaron Lennon no banco de reservas para que ele possa se tornar uma opção viável em uma necessidade de mudança tática ou apenas para colocar mais velocidade no time. Acredito que o Capello vai colocar Lennon como titular.


6- Holanda: Concordo com o meu amigo João “Bigod”, a Holanda tem o melhor time desde 98. Porém, a insegurança de Maarten Stekelenburg no gol, a idade avançada de Gio Van Bronckhorst e a péssima condição técnica de Khalid Boulahrouz preocupam.


O meio de campo confirma o Ajax como um celeiro de craques. Rafael Van der Vaart e Wesley Sneijder são promessas que “deram certo” e vingaram no futebol mundial. Arjen Robben, Dirk Kuyt e Robin Van Persie são ótimos e formam um ataque extremamente veloz. Outro problema é que a Holanda não possui um banco de reservas aceitável, caso alguém se machuque...será um verdadeiro “Deus nos acuda”.


7 – Itália: A Azzurra chega à Copa apenas com o peso da camisa. A falta de renovação é gritante. Fabio Cannavaro já não é mais o mesmo zagueiro desde 2006, quando foi eleito o melhor jogador do Mundo. Sem contar com o aposentado Alessandro Nesta, o ótimo zagueiro Giorgio Chiellini deve ficar sobrecarregado. O mesmo pode acontecer com Andrea Pirlo, que é o único homem de “criação” no meio. Francesco Totti, Filippo Inzaghi e Luca Toni vão fazer falta ao ataque, mas a temporada realizada por Antonio Di Natale e Alberto Gillardino, mesmo lentos, pode fazer a diferença.


O destaque fica por conta da única revelação nesses quatro anos: Riccardo Montolivo, da Fiorentina. O volante realmente demonstrou um ótimo trabalho nas últimas temporadas e pode surpreender principalmente aqueles que não acompanham o

Calcio.


Surpresas


Portugal: A “Cristiano Ronaldo Dependência” vai pesar e muito sobre os ombros do jogador. Mais maduro e decisivo do que na última Copa, Cristiano despontará, sem dúvidas, como um dos grandes dessa competição, mas resta saber como vai estar o restante do time.


França: As besteiras e “birras” do técnico Raymond Domenech são o maior ponto fraco da França. O ataque realmente é uma incógnita. Há tempos Thierry Henry não demonstra o futebol que o consagrou na Inglaterra, para ser mais preciso desde que se transferiu para o Barcelona. Sem um grande goleiro e com uma defesa extremamente vulnerável, os franceses terão dificuldades para segurar uma seleção forte ofensivamente. Para surpreender, o time vai precisar, e muito, de Yohan Gourcuff e Frank Ribery.


México: Carlos Vela,Guardado e Giovani Dos Santos podem dar muita dor de cabeça para as defesas rivais. Velocidade e habilidade são fatores essenciais, mas a carência de um homem-gol é visível, já que Guile Franco não vive uma grande fase.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

#2


Aos 38 anos de idade, Paul Dedrick Gray, baixista do Slipknot, foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira (24). O corpo estava no quarto de um hotel em Iowa, terra natal da banda, nos Estados Unidos. A polícia ainda não sabe a causa da morte e também não encontrou nenhuma evidência de crime. Um teste toxicológico será realizado junto à autópsia para saber se o músico estava sob efeito de drogas no momento em que morreu.

A notícia da morte de Paul mexeu comigo em “efeito retardado”. No primeiro momento tratei com muita naturalidade, mas hoje, após ver a entrevista coletiva concedida pela banda, percebi que estava com medo de demonstrar abatimento e o quanto estou triste.

#2 nunca foi o meu integrante favorito da banda, mas por quase três anos me dediquei a imitá-lo em um Slipknot cover. Balançava a cabeça como ele fazia no palco, comprei um baixo igual e até mesmo o modelo de Puma que ele usava. Quase que sem perceber, Paul fez parte do meu dia-a-dia.

Sempre rejeitei qualquer comparação e também nunca aceitei ser chamado pelo nome dele quando algum fã vinha falar comigo porque não me achava parecido em nenhum aspecto, sem contar o fato de ser canhoto. Ao mesmo tempo, me sentia um pouquinho orgulhoso por alguém me chamar de Paul.

As músicas tocadas por ele estiveram presentes em quase todos os dias da última fase da minha longa adolescência e por diversas vezes me levaram a momentos de extrema raiva e êxtase no palco. Era uma sensação inexplicável, mas nada comparado à dor de perder uma referência no mundo da música. Sempre vou lembrar-me dele de maneira orgulhosa.

Ainda tinha a esperança de ver o Slipknot novamente no Brasil e com a formação original, mas infelizmente não será possível. Fica a memória do grande show realizado em 2005 e a satisfação de ter visto eles no auge.

O ciclo termina aqui e agora. Literalmente... Daqui para frente o grupo não será o mesmo. É o fim de uma banda que esteve presente em situações de alegria e tristeza, sempre de forma intensa, assim como são as suas músicas.

Intensidade, raiva, dor e vazio, são elementos necessários nas faixas do Slip. Curiosamente hoje, é exatamente assim como me sinto. Por que só quando perdemos alguém fazemos um balanço do quanto ela era importante para nós?




quarta-feira, 19 de maio de 2010

Olho gordo catalão?


O Barcelona anunciou o primeiro reforço para a temporada 2010/11. David Villa, atacante da seleção espanhola e que atuava no Valencia, firmou um contrato milionário com o clube catalão e deve ser apresentado oficialmente nos próximos dias.


Apesar do “boom” da notícia, existe um lado negativo (é claro que pouco visível perto da chegada de um ótimo jogador). Com a contratação de Villa, o Barça praticamente confessa que não sabe cuidar do dinheiro que ganha. Gastar 30 milhões de euros, mais o camaronês Samuel Eto’o, para comprar o sueco Ibrahimovic, que estava na Internazionale, não foi um equivoco, mas o desfecho da história pode ser considerado um fiasco.


Campeão da temporada 2008/09 do Campeonato Espanhol e vencedor incontestável da Champions League na mesma época, o time comandado por Pepe Guardiola possuía um ataque extremamente educado taticamente e entrosado. Messi pela direita, com cortes para o meio, Thiery Henry pela esquerda, posição que consagrou o atleta no Arsenal, e Eto’o pelo meio, centro-avante com características de velocidade e que sabia jogar fora da área.


Se levar em consideração esse panorama, fica a pergunta: Por que mexer no bolso e comprar o Ibrahimovic??? A resposta está a 628 quilômetros de distância da Catalunha, para ser mais preciso em Madrid. Pressionado pelas contratações de “grife” (Cristiano Ronaldo e Kaká) realizadas pelo maior rival, o Barcelona se viu na “obrigação” de dar uma resposta à altura... E de fato deu! Fechou contrato com um dos maiores atacantes do Calcio... Mas precisava? NÃO!


Apesar de muito criticado pela imprensa local, por estar longe de ser o jogador dos tempos de Inter, os números do sueco ficaram dentro de uma média aceitável, se considerar o fato de que foi o primeiro ano em outro país, que tem um estilo de campeonato totalmente diferente. Na temporada 2009/10 da La Liga, ele colaborou com 16 gols em 29 jogos, sendo 23 como titular, na caminhada irretocável do clube catalão até o título nacional. Foram 99 pontos e um aproveitamento de 86%, a melhor campanha de todos os tempos de uma equipe na competição.


Dessa forma, não seria nenhum exagero dizer que Ibrahimovic, mesmo sem muito brilho, se encaixou no esquema do Barça. Logo, surgem mais perguntas: Por que gastar 40 milhões de euros para contratar o David Villa após o clube ter feito a melhor campanha da história na Espanha??? E o que fazer com o sueco no elenco??? Vender??? Por quanto??? Aposto que por bem menos do que os 30 milhões mais Samuel Eto’o. Será que ninguém vê que isso será prejuízo???



Realmente... O Barcelona, assim como o Real Madrid, e apesar de ter a categoria de base mais eficiente do mundo, também apronta das suas presepadas financeiras!!! Eita olho gordo!!!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Korn = Tradição


Nos tempos em que o rock tem ficado cada vez mais “colorido” e “blasé”, as velhas camisetas pretas ditaram o tom da noite desta quarta-feira (21) para o show do já veterano Korn. Referência do Nu (ou new) Metal mundial, a banda encerrou no Credicard Hall, em São Paulo, a fase sul-americana da turnê Escape From The Studio. Mesmo sem lotação máxima na casa, talvez por causa dos preços salgados dos ingressos, o grupo demonstrou simpatia e trouxe à capital paulista uma apresentação pesada, cheia de sucessos, principalmente os antigos.

Tradicional. Essa é uma palavra que se encaixa perfeitamente para descrever a terceira passagem do quarteto pelo país. Seja no set list, que foi baseado nos primeiros álbuns, ou na maior parte do público, que cantou todas as músicas, o Korn mostrou exatamente o que se esperava dos precursores do New Metal: muita disposição, letras cheias de raiva e batidas pesadas, com os graves no volume máximo.

Por volta das 21h30 (21h36 para ser mais exato), as luzes do Credicard Hall se apagaram e a faixa 4U, do disco Issues (1999), começou a tocar como intro, em alto (mais alto mesmo) e bom som, para delírio dos fãs.

Em seguida, Ray Luzier assumiu a bateria e quando começou a bater no surdo foi possível ter a noção de que o espetáculo seria realmente barulhento. Depois, foi a vez de Munky (com uma espécie de máscara de luta livre pintada no rosto) e Fieldy aparecerem. Por último, sob fortes gritos do público presente, Jonathan Davis subiu ao palco – a proposta de fazer um som “Old School” ficou evidente logo na roupa do vocalista. Davis abandonou o Kilt (traje escocês) e voltou a utilizar o tradicional agasalho preto com listras brancas da Adidas, que marcou o início da carreira da banda.

Assim, o Korn abriu o show com “Dead Bodies Everywhere”, do Follow The Leader (1998). Um fato chamou a atenção logo no início. Apesar de estar com a garganta em dia e de ainda atingir os graves nas músicas, Jonathan Davis recorreu em diversos momentos a uma espécie de balão de oxigênio. Realmente existe algum problema? Só vamos saber com o tempo.

Cheio de caras e bocas, Munky não parou nenhum minuto de brincar com os fãs e distribuiu diversas palhetas durante o show. Ao contrário de Fieldy, que pouco interagiu, mas não deixou em nenhum momento de ser o baixista empolgado e com o estilo único de tocar (com o baixo bem levantado, quase que na vertical).

Depois vieram “Need To”, do álbum Korn (1994), e “Coming Undone”, que teve o clássico We Will Rock You, do Queen, cantado em um dos refrões. “Here To Stay” marcou a passagem do Untouchables (2002) na apresentação. Outro momento que arrancou gritos dos fãs foi quando Zac Braid, músico de apoio, começou a introdução de “Falling Away From Me” no teclado e em seguida o hit estremeceu o Credicard Hall.

Em um dos únicos momentos que parou para conversar com o público, Davis anunciou a faixa “Oildale (Leave me Alone)”, primeiro single do novo disco, Korn III: Remember Who You Are, que deve chegar às lojas no mês de julho. “Somebody Someone”, um dos maiores sucessos do quarteto, veio na sequência, com direito a solo do baterista Ray Luzier, que demonstrou toda a sua técnica.

Também estiveram presentes sucessos nem tão antigos como “Did My Time”, do Take a Look in The Mirror (2003), e “Throw me Away”, do See You on the Other Side (2005). Precedido por uma espécie de Jam Session entre Fieldy e Luzier, o hit “Freak on a Leash” mostrou mais uma vez a qualidade do vocal de Jonathan Davis.

Como não poderia deixar de ser, o momento apoteótico da apresentação, por assim dizer, ficou para o fim. As baquetadas rítmicas de Luzier no prato anunciaram a clássica "Blind" e levou a galera ao delírio, com gigantescas rodas de bate-cabeça – o único momento em que a pista VIP realmente agitou.

Quando retornou para o BIS, Davis trouxe em seus braços uma gaita de fole e, novamente sob fortes gritos, começou a introdução de “Shoots and Ladders”. Com os clássicos “Clown” e “Got the Life”, o Korn se despediu do público brasileiro. Jonathan Davis deixou o palco agradecendo a presença de todos e disse que espera voltar ao país em breve. Munky e Luzier também se aproximaram da platéia para jogar alguns “brindes”, como palhetas e até mesmo uma pele de bateria autografada. Já Fieldy foi mais “introvertido” e saiu sem alardes.

Um fato curioso foi a exclusão de “Faget” do set list. No repertório oficial, a música estava presente, mas não foi executada pela banda. Se a decisão foi efeito do cansaço vocal de Davis, provavelmente não vamos saber, mas com certeza a faixa fez falta.

Um ponto fraco foi a apatia da pista VIP. Preocupada tanto em tirar fotos e filmar o show, parte das pessoas esquecia até de aproveitar o momento único que é ver de perto os precursores de um estilo musical – claro que ninguém é obrigado a agitar, mas existem pessoas que dariam tudo para ver Jonathan Davis & Cia. de perto. Coisas da tecnologia, maldito seja o iPod. Talvez essa coisa mais “pop” seja efeito da aceitação mercadológica que o New Metal ganhou com bandas como Linkin Park e Limp Bizkit, mas nada que chegasse nem perto de atrapalhar o espetáculo “nostálgico” que o Korn trouxe em sua terceira passagem pelo Brasil.

Set List

4 U (intro)
Dead Bodies Everywhere
Need To
Coming Undone / We Will Rock You
Here to Stay
Falling Away From Me
Oildale
Somebody Someone
Did My Time
Throw Me Away
Helmet in the Bush
Freak on a Leash
Good God
Blind

BIS
Shoots and Ladders
Clown
Got the Life

por Patrick Mesquita

Foto: por MRossi