sábado, 11 de outubro de 2008

Sí se Puede


No próximo domingo, dia 12, a seleção brasileira enfrentará a Venezuela na simpática cidade de San Cristóbal (com transmissão exclusiva, em castelhano, na televisão do meu amigo Édson). O objetivo dessa vez é apagar a péssima imagem que ficou após a primeira derrota, na história do Brasil, diante da esquadra vinho tinto.

Como já é de praxe, a preparação na Granja Comary é feita no melhor estilo “me engana que eu gosto”. Alonga daqui, faz um bobinho ali e um coletivo para alegrar os torcedores que ficam na chuva para acompanhar o treino. Tudo muito calmo, sem graça, robótico até a hora das entrevistas coletivas. Ah essa parte é imperdível, um verdadeiro show de respostas sem nenhum sentido.

Em CNTP quem promove os maiores espetáculos diante dos repórteres é o técnico Dunga. Mas dessa vez, Anderson e Robinho decidiram repartir as glórias da ignorância com o comandante. O volante do Manchester United afirmou que perder para a Venezuela não é nenhum vexame. Já o atacante do Manchester City, disse que não pensa em revanche porque no futebol moderno “de hoje” não existe mais time bobo e que o Brasil pode ganhar ou perder de qualquer seleção.

Se juntarmos declarações desse calibre com as cadeiras cativas de Gilberto Silva, Kléber e Josué, fica fácil entender porque ninguém mais respeita nossa seleção. Os próprios jogadores vão para a peleja com a desculpa formada para o caso de um resultado negativo. Esse tipo de incerteza, que jamais deveria ocorrer quando o adversário é infinitamente inferior, dá margem para que seleções como Bolívia, Peru e Chile acreditem que vencer o Brasil já não é tão difícil como em épocas passadas.

Perder para Itália, Inglaterra, Holanda e Portugal é uma coisa até que aceitável, pois são países fortes, com história e bons jogadores. Agora admitir uma derrota para um freguês histórico já é demais. Uma piada de mau gosto e que se torna ainda pior quando se descobre que o Brasil fez treinos secretos para o jogo. Atitude que alimenta ainda mais o fenômeno “sí se puede”. Uma espécie de vírus desenvolvido pelo Chile, que faz as seleções pequenas enxergarem o Brasil menor ou igual a elas.

A cura para essa doença é simples: basta achar um técnico, misturar uma dose de identificação dos jogadores com a camisa canarinho, duas doses de história da nossa seleção e cinco colheres de chá de vergonha na cara. Será possível que o futebol mágico acabou? Se continuar assim é melhor trocar o nosso mascote para o Casper. Pois nosso fantasma anda camarada até demais e já não assusta mais ninguém!

Não sou religioso, mas deve ter alguma parte na bíblia que diz: quando o céu ficar vermelho, as águas invadirem as terras e quando o Brasil fizer treino secreto para esconder alguma coisa da Venezuela é porque o fim dos tempos está realmente muito próximo.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Novas eleições para aplicar velhos golpes



Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, convocou de ontem pra hoje, novas eleições para a presidência do COB. Eleito pela primeira vez em 1995, o dono do esporte olímpico nacional, só perde em tempo de mandato para Ricardo Teixeira, presidente eterno da CBF. Vale lembrar que Nuzman ainda possui algum tempo de mandato e não havia necessidade de adiantar as eleições, ainda mais às escuras. Então por que ele fez isso? A resposta é simples: para ficar na presidência até as possíveis Olimpíadas de 2016.

Só pode ser brincadeira! Como alguém pode organizar uma eleição, que leva cerca de três anos para ser preparada, assim, do dia pra noite, sem tempo para que possa ser organizada uma chapa de oposição e ainda ter a cara de pau de dizer que existe democracia? A resposta é mais uma vez simples e clara: porque a pressão sobre ele, após a última Olimpíada, aumentou até o ponto de ameaçá-lo. Estranho é que nomes como Ricardo Teixeira e Eurico Miranda, já utilizaram o mesmo golpe para se perpetuarem à frente da CBF e do Vasco da Gama respectivamente.

Nuzman ainda tem a coragem de dizer que o desempenho do “Bronzil” em Pequim foi satisfatório. Satisfação é saber que nossos atletas conseguiram conquistar medalhas mesmo com a péssima estrutura existente no país e com esses monarcas no poder. Por que ao invés de ficar preocupado com seu tempo de mandato, o presidente do COB não vai procurar o dinheiro que foi simplesmente sugado no Pan do Rio? Onde estão os 96 milhões de reais gastos para a reforma do Maracanãnzinho,que mesmo após os reparos ainda possui goteiras? Onde estão os mais de 1 Bilhão de reais gastos para que o Pan deixasse um legado aos atletas brasileiros?

Apenas para ilustrar a situação, o Engenhão, estádio construído para os jogos pan-americanos, foi doado para o Botafogo. E com o dinheiro que sumiu durante as obras, dava para fazer um estádio para cada clube grande do Rio de Janeiro. Se fosse um bom dirigente, Carlos Arthur Nuzman não precisaria sumir quando questões como essas são levantadas. Será que vale apena ele continuar no comando?

Pior do que essa situação, só a assessoria de imprensa do COB que não se manifestou e simplesmente avisou que ainda não pode dizer nada. Está na hora do assessor de imprensa lembrar que é jornalista e não compactuar com esse tipo de falcatrua. Belo trabalho jogar a poeira pra debaixo do tapete e calar-se por temer seu emprego. Talvez a solução seja abrir um curso nas universidades para Assessor de Imprensa, uma vez que de profissionais de jornalismo eles só possuem seus diplomas. Será que vale a pena se orgulhar por fazer parte de toda essa palhaçada? Ah me esqueci... O dinheiro fala mais alto e mudar o mundo, mesmo que seja no esporte, não está nos planos de quase ninguém.